Meu nome é Geraldo Luiz Nugoli Costa. Sou de Araçatuba, interior de São Paulo, filho de uma família pobre, criado pelos meus avós depois que meu pai morreu, quando eu tinha 1 ano e 2 meses. Meu avô era alfaiate. Minha avó era do lar, fazia bordado e doce para vender, e vendia a fruta que a gente colhia no quintal. Eu ia junto com a cesta no braço desde os oito anos.
Morei em barraco de quatro cômodos, de chão batido. Tomava banho com tambor de zinco e chuveiro embaixo. A luz era candeeiro a querosene: geladeira, televisão e fogão a gás só chegaram em 1970. Tive dentista na escola e médico na Santa Casa. Fomos pobres, mas nunca fomos miseráveis, e o que fez a diferença na minha vida foi ter escola pública de qualidade no meu bairro.
Trabalhei em marmoraria como menor aprendiz, em fábrica de produto de limpeza, como auxiliar de eletricista e, à noite, como técnico de som e de iluminação de um conjunto musical. Servi o Exército. Passei no vestibular de Direito na minha cidade. E em 13 de dezembro de 1981, com 19 anos, peguei um ônibus para Brasília com a roupa do corpo e uma muda de camisa para fazer o concurso da Polícia Civil.
Passei. E fiquei 33 anos.