Eu passei trinta e três anos na Polícia Civil e perdi quase tudo dentro de casa.
Eu não vi meus filhos crescerem. Não vi as meninas virarem moças. Não vi os meninos engrossarem a voz. Quem viu foi a mãe deles, sozinha, enquanto eu estava numa ocorrência, num plantão, numa crise que atravessava a madrugada.
A morte está sempre presente na vida do policial. Ao longo da carreira eu enterrei muitos colegas. E toda vez que isso acontecia, tinha uma casa esperando alguém que não ia voltar.
Hoje meu filho mais novo tem sete anos, e eu tenho uma oportunidade que a maioria dos meus colegas nunca teve: estar. Dessa eu não abro mão. A política fica em segundo lugar. Tudo fica em segundo lugar.
Por isso, quando eu falo em valorizar o policial, eu não estou falando só de salário.
Estou falando da sua casa. Da mulher, do marido, da mãe e do filho que seguraram o que o Estado não segurou.
Vocês também são a segurança pública deste país. E vocês também votam.