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Crônica 24 · A cidade

Ceilândia era só terra

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Ilustração de rua de terra vermelha de cidade-satélite nos anos 80
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Minha primeira lotação foi a 15ª DP, na Ceilândia, em 1982. Eu tinha acabado de entrar na polícia.

A cidade era quase toda terra.

Andei ali quando não tinha asfalto, quando não tinha quase nada. E vi virar o que virou.

Dois meses depois de entrar, surgiu o curso de repressão a entorpecentes e eu fui. Voltei e participei da inauguração da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, a DTE, que hoje é a CORD.

Depois vieram outras cidades. A 13ª DP em Sobradinho, onde eu assumi minha primeira delegacia como delegado. Taguatinga, onde eu trabalhei mais de trinta anos e conheço rua por rua. E o Guará, onde eu moro na mesma casa há mais de vinte anos e onde criei meus filhos.

Escrevo isso porque existe uma diferença entre conhecer uma cidade e ter trabalhado nela.

Quem só conhece vê a fachada. Quem trabalhou viu a madrugada.

Eu não preciso que ninguém me explique o que acontece em Ceilândia depois das dez da noite, nem o que muda no comércio de Taguatinga quando o furto aumenta.

Quando eu falo do Distrito Federal, eu não estou falando de um lugar sobre o qual eu li.

Estou falando de onde eu passei a vida inteira.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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