Crônicas do Delegado Nugoli
Histórias de 33 anos de Polícia Civil do Distrito Federal, contadas em primeira pessoa. Cada uma começa numa cena e termina numa proposta de mandato.
30 crônicas

A muda de camisa
Dezembro de 1981, 19 anos, uma prova da Polícia Civil e nenhum plano B. A história que explica por que falo de oportunidade.
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A cesta no braço da minha avó
Criado pelos avós, entre a fruta vendida na rua e a escola pública do bairro. Pobre, mas nunca miserável: o que fez essa diferença.
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Um semestre sim, dois não
Agente de polícia com salário curto, segurança de boate à noite e a faculdade de Direito trancada e retomada. Recado a quem estuda para concurso.
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Arroz com ovo de gema mole
O prato da infância na casa de chão batido e por que quem viveu a pobreza é mais difícil de enganar.
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O nome do meu avô
O filho de sete anos leva o nome do avô alfaiate. Sobre a família do policial, que segura o que o Estado não segura.
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Quatro escolas num bairro de periferia
Colégio industrial, Senai, Sesi e escola municipal num bairro pobre. Por que escola técnica também é política de segurança pública.
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Nove meses sem uma caneta
O corredor da polícia: lotado no papel, sem função na prática. A primeira proposta do plano nasce dessa experiência.
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Durma onde estiver
Nove anos à frente da Divisão de Operações Especiais. Não existe unidade ruim, existe unidade abandonada.
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Equipamento não é uniforme
Em 2001 equipei a DOE com material de proteção e fui questionado na Justiça. Ganhei. Agora quero que vire regra.
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O dia em que pós-graduamos a polícia inteira
Na Academia de Polícia, todos saíram especialistas. Por que economizar em formação policial sai caro.
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Trinta e duas horas
A crise de 2001 com três policiais reféns. Por que o trabalho de polícia que dá certo é o que ninguém vê.
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Quando a polícia sobe, eu vou sozinho
O policial age em nome do Estado e responde sozinho. A proposta de defesa jurídica institucional desde o primeiro dia.
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O que eu construí não foi prisão
Do que mais me orgulho na polícia: a equipe, os afilhados e o churrasco de dez anos. Saúde do policial tem nome.
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A carreira mais vazia da polícia é a que cuida do preso
Agente de custódia: 800 cargos previstos e 293 ocupados. Quem paga essa folha e onde isso se resolve.
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Preso junto com preso vira escola
Como o crime organizado nasceu dentro do sistema prisional e a proposta de separar presos por perfil criminal.
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Dois policiais e um pavilhão
Superlotação, efetivo congelado e aprovados esperando nomeação. A proposta de razão mínima por interno.
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Sete anos para corrigir uma frase
A Polícia Penal está na Constituição desde 2019, mas fora da Lei do Fundo Constitucional. Uma omissão que ninguém foi corrigir.
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Mesmo adolescente, mesma facção, mesmo risco
O agente socioeducativo faz trabalho de segurança e não é tratado como tal. Risco igual pede direito igual.
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O crime estuda antes de entrar
Uma lição de 1982 sobre infiltração e a proposta de contrainteligência permanente nas carreiras de segurança.
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Prisão sem mandado é presente para a defesa
O que eu admiro e o que eu não defendo no modelo de El Salvador. Rigor é prender com prova e condenação que fica de pé.
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Nós temos a lei mais dura da história e não temos quem execute
Lei não prende ninguém. Sem perito e inteligência financeira, não se segue o dinheiro da facção.
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A corrente se quebra na receptação
Um celular subtraído a cada 52 minutos no DF. Ninguém rouba o que não consegue vender.
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Organização criminosa não muda de forma porque usa jaleco
A investigação sobre cartel na anestesia do DF, as cirurgias que deixaram de ser feitas e os médicos que também são vítimas.
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Ceilândia era só terra
Primeira lotação em 1982, na 15ª DP. Quem só conhece a cidade vê a fachada; quem trabalhou viu a madrugada.
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A única rede do país que caiu
No IDEB 2025, o DF foi a única rede com queda no ensino médio. Por que educação, cultura e segurança andam juntas.
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Fila não é serviço
O agendamento eletrônico do Detran e a proposta de acompanhar a ocorrência na delegacia. Respeito ao tempo de quem procura o Estado.
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Por que federal e não distrital
As forças de segurança do DF são pagas pelo Fundo Constitucional, votado no Congresso. É lá que essa conta se decide.
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O que eu não vou fazer
Quatro compromissos negativos, por escrito, para serem cobrados: emenda, polícia, chefia e patrimônio.
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Emenda não é moeda
Emenda existe para chegar na ponta. Um teste simples para conferir o que fez o deputado em quem você votou.
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Nunca fui candidato a nada. Nem a síndico.
A primeira eleição aos 64 anos, depois de 33 anos, 6 meses e 3 dias de Polícia Civil. Por que eu disse sim.
Ler a crônicaNenhuma crônica com essas palavras. Tente outro termo ou veja todas.