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Crônica 02 · De onde eu vim

A cesta no braço da minha avó

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Ilustração de cesta de vime com frutas na porta de uma casa simples do interior
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Minha avó vendia fruta na rua. Eu cansei de ir junto com ela, com a cesta no braço, quando tinha uns oito anos.

Meu avô era alfaiate. Foram eles que me criaram, depois que meu pai morreu, quando eu tinha um ano e dois meses. Assumiram a minha criação já com mais de cinquenta anos cada um, numa idade em que a maioria das pessoas está pensando em descansar.

A gente morava numa casa de chão batido, coberta de telha. Latrina no fundo do quintal. Eu tomava banho numa bacia, puxando uma cordinha ligada a um tambor de lata com um chuveiro embaixo.

Roupa eu não comprava. Um tio que morava fora mandava uma vez por ano e meu avô, que era alfaiate, reformava para o meu tamanho.

Carne era uma vez por semana. Mas tinha galinha no fundo, tinha ovo, tinha horta. Fome nós nunca passamos.

Fomos pobres, mas nunca fomos miseráveis. E eu faço questão dessa distinção, porque ela diz tudo sobre o que o Estado faz ou deixa de fazer.

O que separou a minha família da miséria não foi favor de ninguém. Foi ter escola pública boa no bairro, dentista na escola e atendimento na Santa Casa.

Era pouco. Mas era o suficiente para a gente não afundar.

Hoje, quando eu vejo a discussão sobre política social, é nisso que eu penso. Não se trata de dar ou não dar. Trata-se de dar o quê.

Dinheiro que mantém a pessoa parada no mesmo lugar não muda nada. Escola, saúde e formação mudam uma família inteira em uma geração.

Eu sou a prova.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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