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Crônica 07 · A polícia por dentro

Nove meses sem uma caneta

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Mesa de repartição vazia, cadeira afastada e corredor institucional ao fundo
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Existe uma coisa dentro da polícia que quase ninguém de fora conhece: o corredor.

Não é lugar físico. É uma situação. Você continua formalmente lotado, continua recebendo, continua existindo no papel. Só que não tem função, não tem atribuição, não tem nada para fazer.

Eu passei nove meses assim. Sem uma caneta na mesa.

Não porque eu tinha errado. Não porque respondia a processo. Porque eu não fazia parte de determinado grupo político dentro da instituição.

Tem um grupinho que se reúne, que se encontra no fim de semana, e que ali decide quem assume o quê. Se você não faz parte, vai para o cargo que ninguém quer, numa delegacia distante, e fica lá por anos, por mais competente que seja.

Eu vi isso acontecer a carreira inteira com gente excelente.

E senti na pele o que é ser menosprezado dentro da própria casa.

É por isso que a primeira proposta do meu plano de mandato é essa: toda lotação de policial com função registrada e atribuição definida. Ninguém formalmente lotado e materialmente parado. Prazo máximo para situação de disponibilidade, com justificativa e publicidade. E critério objetivo para designação e remoção.

Parece burocracia. Não é.

É a diferença entre uma instituição que funciona por mérito e uma que funciona por conveniência.

Ninguém deveria ser punido sem processo, por decisão de gabinete.

Eu fui.

E não vou reproduzir o que fizeram comigo.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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Isso não é discurso de campanha. É memória

As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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