Durma onde estiver

Quando me convidaram para assumir a Divisão de Operações Especiais, a DOE tinha um apelido dentro da polícia: durma onde estiver.
Era para onde a instituição mandava quem ela não sabia onde colocar. Gente doente, gente perto da aposentadoria, gente encostada. O trabalho básico era ficar na porta de banco lendo jornal.
Eu aceitei mesmo assim.
Fiquei nove anos como diretor. E naqueles nove anos nós construímos doutrina de operações especiais dentro da Polícia Civil, trouxemos técnica internacional, montamos treinamento e equipamos a divisão.
Foi a fase da minha carreira de que eu mais sinto saudade.
Aprendi ali uma coisa que vale para qualquer lugar: não existe unidade ruim, existe unidade abandonada. Quando você dá função, dá formação e dá material, a mesma gente que estava lendo jornal na porta de banco vira uma equipe de resposta a crise.
Não mudou a gente. Mudou o que ofereceram a ela.
É exatamente isso que eu penso quando olho para a Polícia Civil hoje, operando com pouco mais da metade do quadro ocupado. Não é falta de gente boa. É falta de decisão sobre essa gente.
Instituição não se recupera com discurso.
Se recupera com efetivo, com formação e com alguém disposto a assumir a responsabilidade de fazer.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


