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Crônica 08 · A polícia por dentro

Durma onde estiver

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Colete, capacete, luvas e coturnos táticos sobre banco de vestiário
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Quando me convidaram para assumir a Divisão de Operações Especiais, a DOE tinha um apelido dentro da polícia: durma onde estiver.

Era para onde a instituição mandava quem ela não sabia onde colocar. Gente doente, gente perto da aposentadoria, gente encostada. O trabalho básico era ficar na porta de banco lendo jornal.

Eu aceitei mesmo assim.

Fiquei nove anos como diretor. E naqueles nove anos nós construímos doutrina de operações especiais dentro da Polícia Civil, trouxemos técnica internacional, montamos treinamento e equipamos a divisão.

Foi a fase da minha carreira de que eu mais sinto saudade.

Aprendi ali uma coisa que vale para qualquer lugar: não existe unidade ruim, existe unidade abandonada. Quando você dá função, dá formação e dá material, a mesma gente que estava lendo jornal na porta de banco vira uma equipe de resposta a crise.

Não mudou a gente. Mudou o que ofereceram a ela.

É exatamente isso que eu penso quando olho para a Polícia Civil hoje, operando com pouco mais da metade do quadro ocupado. Não é falta de gente boa. É falta de decisão sobre essa gente.

Instituição não se recupera com discurso.

Se recupera com efetivo, com formação e com alguém disposto a assumir a responsabilidade de fazer.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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Isso não é discurso de campanha. É memória

As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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