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Crônica 06 · De onde eu vim

Quatro escolas num bairro de periferia

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Ilustração de fachada de colégio técnico estadual dos anos 70 com bandeira do Brasil
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Eu fui um menino de sorte, e a sorte tinha endereço.

No meu bairro, que era periferia de cidade do interior, tinha quatro escolas. Uma escola técnica estadual, que era o colégio industrial. Tinha o Senai. Tinha o Sesi. E tinha uma escola municipal.

Quatro. Num bairro pobre.

Naquela época, para passar do primário para o ginásio, você fazia um exame de admissão, uma espécie de vestibular. Se não passasse, voltava para a quarta série.

Eu passei. E me formei eletricista no colégio técnico, trabalhando desde os doze anos, primeiro numa marmoraria, depois numa fábrica de produtos de limpeza, depois como auxiliar de eletricista e tocando em conjunto musical à noite.

Se aquelas escolas não estivessem ali, eu não teria chegado a lugar nenhum.

É por isso que eu falo tanto de educação profissional. Não por modismo, e não porque é bonito colocar no plano de governo.

Porque eu sou o resultado.

O menino que tem uma escola técnica a três quarteirões de casa tem uma profissão aos dezessete anos. O menino que não tem fica disponível para quem chegar primeiro.

E hoje, na periferia do Distrito Federal, quem chega primeiro nem sempre é o Estado.

Escola técnica não é política de educação. É política de segurança pública. Só que ela age antes, e não depois.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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