Quatro escolas num bairro de periferia

Eu fui um menino de sorte, e a sorte tinha endereço.
No meu bairro, que era periferia de cidade do interior, tinha quatro escolas. Uma escola técnica estadual, que era o colégio industrial. Tinha o Senai. Tinha o Sesi. E tinha uma escola municipal.
Quatro. Num bairro pobre.
Naquela época, para passar do primário para o ginásio, você fazia um exame de admissão, uma espécie de vestibular. Se não passasse, voltava para a quarta série.
Eu passei. E me formei eletricista no colégio técnico, trabalhando desde os doze anos, primeiro numa marmoraria, depois numa fábrica de produtos de limpeza, depois como auxiliar de eletricista e tocando em conjunto musical à noite.
Se aquelas escolas não estivessem ali, eu não teria chegado a lugar nenhum.
É por isso que eu falo tanto de educação profissional. Não por modismo, e não porque é bonito colocar no plano de governo.
Porque eu sou o resultado.
O menino que tem uma escola técnica a três quarteirões de casa tem uma profissão aos dezessete anos. O menino que não tem fica disponível para quem chegar primeiro.
E hoje, na periferia do Distrito Federal, quem chega primeiro nem sempre é o Estado.
Escola técnica não é política de educação. É política de segurança pública. Só que ela age antes, e não depois.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


