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Crônica 01 · De onde eu vim

A muda de camisa

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Ilustração de uma sacola de viagem e uma camisa dobrada sobre banco de rodoviária antiga
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Cheguei em Brasília no dia 13 de dezembro de 1981. Tinha 19 anos e trazia a roupa do corpo e uma muda de camisa.

Na minha cidade, no interior de São Paulo, não tinha para onde crescer. O máximo que eu ia ser era vendedor de loja ou funcionário da prefeitura. Quando soube que tinha concurso para agente da Polícia Civil aqui, meu avô me apoiou e eu peguei o ônibus.

Na viagem, sentei do lado de uma mulher com um bebê no colo e outro menino pequeno junto. Falei para ela: me dá o nenê que eu seguro, você cuida do outro. Levei uma mijada e o menino ainda vomitou em mim.

Eu ia fazer prova em duas horas.

Desci, me lavei no banheiro, vesti a outra camisa e fui. Voltei no mesmo dia, porque o dinheiro só dava para um lanche.

Semanas depois chegou um telegrama. Eu tinha passado.

Conto isso porque às vezes as pessoas olham para um delegado aposentado, de terno, e imaginam uma vida que começou confortável. Não começou. Começou numa rodoviária, com a camisa suja e sem plano B.

E é por isso que eu entendo quem está começando agora. O menino que trabalha e estuda, o concurseiro que faz a prova sem saber se vai dar, a mãe que segura duas crianças no ônibus.

Eu fui todos eles.

Quando eu falo em oportunidade, em escola técnica no bairro, em concurso que sai do papel, não é discurso de campanha. É memória.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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Isso não é discurso de campanha. É memória

As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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