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Crônica 03 · De onde eu vim

Um semestre sim, dois não

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Caderno antigo, caneta e livro de Direito sobre mesa de madeira à noite
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Quando eu entrei na Polícia Civil, em 1982, o salário de agente era muito pouco. Eu não tinha condição de continuar a faculdade de Direito que eu tinha começado na minha cidade.

Tranquei.

Só em 1984 consegui voltar a estudar, e mesmo assim fazia um semestre e trancava dois. Não dava para pagar a faculdade e as contas de casa ao mesmo tempo.

Para juntar dinheiro da feira, eu fazia segurança de boate à noite e de clube durante o dia, nos fins de semana. Não tinha carro. Não tinha quase nada. Tinha disposição para trabalhar.

Me formei em 1992. Dez anos depois de entrar na polícia.

Em 1996 surgiram dois concursos para delegado ao mesmo tempo: Polícia Federal e Polícia Civil. Fiz os dois e passei nos dois. O da Civil tinha todas as fases da magistratura: prova objetiva, discursiva e oral. Eu ainda lembro das perguntas da minha prova oral.

Não passei porque sou inteligente. Passei porque sou determinado.

Tem gente que lê uma vez e aprende. Eu preciso ler dez vezes, falar em voz alta e escrever para guardar. Mas depois que eu entendo, ninguém tira.

Escrevo isso principalmente para quem está estudando agora. Brasília é a capital do concurseiro, e eu sei que tem muita gente aí sentada há anos, cansada, achando que não vai dar.

Vai dar. Não porque você é o mais rápido, mas porque você continuou depois que os rápidos desistiram.

Levei dez anos para terminar uma faculdade de cinco.

E terminei.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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