Arroz com ovo de gema mole

No último Dia dos Pais, eu almocei arroz branco com ovo de gema mole e tomate.
Não foi por falta de opção. Foi por saudade.
Era o prato que eu mais gostava quando menino. Junto com pão com banana dentro, que era o lanche de casa. Eu só fui conhecer hambúrguer aos quinze anos. Antes disso, a gente montava sanduíche com pão, alface, tomate e ovo. Faltava o queijo e faltava a carne, mas a gente comia do mesmo jeito e era feliz assim.
Conto essas coisas porque elas explicam como eu olho para a cidade.
Quando eu vejo uma família fazendo conta no mercado, eu não estou vendo estatística. Estou vendo a minha avó escolhendo o que cabia no dinheiro da semana.
Quando eu vejo um menino de doze anos trabalhando, eu não estou vendo um caso. Estou me vendo na marmoraria.
Tem muita gente na política que aprendeu a falar de pobreza. Eu não precisei aprender.
E isso não me torna melhor que ninguém. Só me torna difícil de enganar.
Hoje eu tenho minha casa, meu carro, minha aposentadoria e minha família. Estou bem. Mas o prato que eu escolhi no Dia dos Pais foi o de casa de chão batido.
Não foi nostalgia. Foi memória de onde eu venho, no dia em que eu comemoro ser pai.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


