O nome do meu avô

Meu filho mais novo tem sete anos e leva o nome do meu avô.
Não foi coincidência. Foi decisão.
Meu avô assumiu a minha criação quando já tinha mais de cinquenta anos e nenhuma obrigação de fazer isso. Era alfaiate, ganhava pouco, e mesmo assim me ofertou o que ele tinha de melhor.
Ele não me deu dinheiro. Me deu exemplo e me deu chance.
Durante a maior parte da minha carreira na polícia, eu não estive em casa. Não vi meus filhos crescerem. Não vi as meninas virarem moças, não vi os meninos engrossarem a voz. Quem viu foi a mãe deles, sozinha, enquanto eu estava numa ocorrência ou numa crise que atravessava a madrugada.
É assim com a maioria dos policiais. A gente entrega a vida inteira e cobra de casa o que não dá pra cobrar de ninguém.
Hoje, com esse menino de sete anos, eu tenho uma oportunidade que muitos colegas nunca tiveram: estar.
Dessa eu não abro mão. A política fica em segundo lugar. Tudo fica em segundo lugar.
E é por isso que, quando eu falo em valorizar o policial, eu não estou falando só de salário.
Estou falando da casa dele. Da mulher, do marido, da mãe e do filho que seguraram aquilo que o Estado não segurou.
Essas pessoas também são a segurança pública deste país. E quase nunca alguém fala com elas.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


