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Crônica 05 · De onde eu vim

O nome do meu avô

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Tênis de criança ao lado de sapatos de couro gastos na porta de casa, com fita métrica de alfaiate
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Meu filho mais novo tem sete anos e leva o nome do meu avô.

Não foi coincidência. Foi decisão.

Meu avô assumiu a minha criação quando já tinha mais de cinquenta anos e nenhuma obrigação de fazer isso. Era alfaiate, ganhava pouco, e mesmo assim me ofertou o que ele tinha de melhor.

Ele não me deu dinheiro. Me deu exemplo e me deu chance.

Durante a maior parte da minha carreira na polícia, eu não estive em casa. Não vi meus filhos crescerem. Não vi as meninas virarem moças, não vi os meninos engrossarem a voz. Quem viu foi a mãe deles, sozinha, enquanto eu estava numa ocorrência ou numa crise que atravessava a madrugada.

É assim com a maioria dos policiais. A gente entrega a vida inteira e cobra de casa o que não dá pra cobrar de ninguém.

Hoje, com esse menino de sete anos, eu tenho uma oportunidade que muitos colegas nunca tiveram: estar.

Dessa eu não abro mão. A política fica em segundo lugar. Tudo fica em segundo lugar.

E é por isso que, quando eu falo em valorizar o policial, eu não estou falando só de salário.

Estou falando da casa dele. Da mulher, do marido, da mãe e do filho que seguraram aquilo que o Estado não segurou.

Essas pessoas também são a segurança pública deste país. E quase nunca alguém fala com elas.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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