Dois policiais e um pavilhão

A Secretaria de Administração Penitenciária foi o maior desafio da minha carreira. E foi ali que eu vi a conta que não fecha.
É uma estrutura enorme, com efetivo pequeno demais e superlotação que ultrapassa qualquer limite razoável. Tem dois policiais penais tomando conta de um pavilhão com centenas de presos.
Isso não é exceção. É rotina.
O sistema funciona hoje por duas razões: pela abnegação daquela gente e por técnicas que foram desenvolvidas ao longo do tempo para garantir a segurança deles. Mas eles estão em risco o tempo todo.
E tem outra coisa acontecendo em paralelo, que quase ninguém sabe. Existe gente aprovada em concurso da Polícia Penal esperando nomeação, e não existe vaga no quadro para nomear, porque o quantitativo da carreira é um número fixo, definido lá atrás, olhando o sistema daquela época.
A população prisional não parou de crescer desde então.
Então a proposta tem duas partes.
A primeira é razão mínima de policiais penais por interno, definida em norma e com prazo para cumprimento.
A segunda é maior: parar de trabalhar com número congelado. Se o quadro passar a acompanhar a população prisional, o problema deixa de voltar a cada cinco anos.
Eu já assinei escala sabendo que ela não era suficiente, com gente capacitada esperando do lado de fora.
Isso não é falta de candidato. É falta de decisão.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


