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Crônica 19 · Crime, facção e justiça

O crime estuda antes de entrar

Delegado Nugoli · 1 min de leitura
Sala de aula universitária vazia com luz entrando pela janela
Imagem ilustrativa gerada com inteligência artificial

Em 1982, eu era agente de polícia havia dois meses quando fiz meu primeiro curso de repressão a entorpecentes.

No meio do curso, contaram como os traficantes estavam agindo na Colômbia. Eles financiavam a formação de estudantes em universidades, para que aquelas pessoas depois ocupassem lugares na polícia, no Ministério Público, no Judiciário e nas escolas.

Não era para ganhar dinheiro. Era para ter poder.

Eu tinha vinte anos e nunca esqueci aquilo.

Quarenta e quatro anos depois, eu vejo a mesma coisa acontecendo aqui. E a gente ainda trata isso como hipótese.

Infiltração não começa com maleta. Começa com jantar, com carona, com favor pequeno, com alguém pagando um curso. Quando aparece o dinheiro grosso, já é tarde, porque a pessoa já está lá dentro há anos.

Por isso uma das minhas propostas é um programa permanente de contrainteligência e integridade nas carreiras de segurança pública, com investigação social continuada e verificação patrimonial periódica.

Não apenas no ingresso.

A checagem não pode acabar no dia do concurso, porque a vida da pessoa não acaba ali.

Dirigi a Divisão de Inteligência dentro do Departamento de Atividades Especiais. Sei o quanto esse trabalho é ingrato, silencioso e sem holofote.

E sei que ele é a diferença entre uma instituição sólida e uma instituição comprada por dentro.

Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.

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Isso não é discurso de campanha. É memória

As propostas que saíram dessas histórias estão no plano, uma por uma.

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