O crime estuda antes de entrar

Em 1982, eu era agente de polícia havia dois meses quando fiz meu primeiro curso de repressão a entorpecentes.
No meio do curso, contaram como os traficantes estavam agindo na Colômbia. Eles financiavam a formação de estudantes em universidades, para que aquelas pessoas depois ocupassem lugares na polícia, no Ministério Público, no Judiciário e nas escolas.
Não era para ganhar dinheiro. Era para ter poder.
Eu tinha vinte anos e nunca esqueci aquilo.
Quarenta e quatro anos depois, eu vejo a mesma coisa acontecendo aqui. E a gente ainda trata isso como hipótese.
Infiltração não começa com maleta. Começa com jantar, com carona, com favor pequeno, com alguém pagando um curso. Quando aparece o dinheiro grosso, já é tarde, porque a pessoa já está lá dentro há anos.
Por isso uma das minhas propostas é um programa permanente de contrainteligência e integridade nas carreiras de segurança pública, com investigação social continuada e verificação patrimonial periódica.
Não apenas no ingresso.
A checagem não pode acabar no dia do concurso, porque a vida da pessoa não acaba ali.
Dirigi a Divisão de Inteligência dentro do Departamento de Atividades Especiais. Sei o quanto esse trabalho é ingrato, silencioso e sem holofote.
E sei que ele é a diferença entre uma instituição sólida e uma instituição comprada por dentro.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


