Organização criminosa não muda de forma porque usa jaleco

Em abril do ano passado, a Polícia Civil do Distrito Federal, pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, e o Ministério Público do DF deflagraram uma operação para investigar a formação de cartel no mercado de anestesia da capital.
A investigação apura se um grupo dominava o setor, impedindo médicos independentes de entrar em hospitais e cobrando valores altíssimos de quem quisesse trabalhar. Os investigados podem responder por organização criminosa, cartel, constrangimento ilegal e lavagem de dinheiro. A cooperativa nega todas as acusações.
Segundo o que foi divulgado, o efeito chegou ao serviço público. Mais de mil e trezentas cirurgias deixaram de ser feitas por inviabilidade financeira. Quinhentas delas eram cirurgias de criança.
Eu dirigi o departamento ao qual era subordinada a divisão de crime organizado. Sei reconhecer a estrutura quando ela aparece, e ela não muda de forma só porque quem está dentro dela usa jaleco em vez de arma.
E quero ser muito claro sobre uma coisa: eu não estou contra os médicos.
A investigação mostra que as vítimas também são médicos. Anestesista formado, capacitado, querendo trabalhar, que foi barrado ou cobrado para poder entrar.
Isso muda até a conversa sobre falta de anestesista no Brasil. Se existe profissional formado e disponível sendo impedido de trabalhar, isso não é escassez. É reserva de mercado.
Cartel na saúde não é briga entre categorias.
É crime contra quem paga imposto e espera na fila.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


