A corrente se quebra na receptação

No Distrito Federal, um celular é subtraído a cada 52 minutos.
E enquanto alguns indicadores de roubo caem, os registros de receptação continuam subindo. Isso diz uma coisa só: a cadeia de escoamento continua intacta.
Eu trabalhei quase doze anos em entorpecentes e também com roubo de veículo. Aprendi ali uma regra que vale para tudo: ninguém rouba o que não consegue vender.
A gente gasta energia enorme perseguindo o fim da corrente, que é o menino que arranca o aparelho da mão de alguém na rua. E deixa quase intocado o meio, que é quem compra, destrava, revende e exporta.
Enquanto tiver quem compre, vai ter quem furte.
A proposta é atacar ali: rastreabilidade de aparelhos, responsabilização do receptador profissional e integração nacional de dados sobre aparelhos subtraídos.
E o mesmo raciocínio vale para o estelionato, que cresceu muito no início deste ano. O crime migrou para o celular da pessoa e a estrutura de investigação não migrou junto.
Idoso perdendo aposentadoria em golpe de aplicativo não é estatística acessória. Hoje é a principal forma de crime patrimonial.
Atacar a receptação e a fraude digital é atacar o caixa do varejo do crime.
E é o caixa que financia todo o resto.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


