Quando a polícia sobe, eu vou sozinho

Tem uma frase que todo policial de carreira entende na primeira vez que ouve: quando a polícia sobe comigo, eu vou sozinho.
A instituição não vai junto.
Ela aparece no peso do julgamento, porque no fundo quem está sendo julgado ali é a polícia inteira, é tudo que a polícia já fez de errado na história do país. Num dos meus julgamentos, o promotor citou um crime que aconteceu em outro estado, décadas antes, que não tinha nada a ver comigo.
Mas quem senta no banco é o policial. Sozinho.
E aqui está o problema: a gente manda uma pessoa agir em nome do Estado, com risco de vida e decisão de segundos, e quando ela é questionada por aquilo, ela vira um cidadão qualquer contratando advogado com o próprio dinheiro.
Isso não é justo e não é inteligente. Porque o policial que sabe que vai responder sozinho passa a hesitar. E hesitação também custa vida.
A proposta é direta: defesa jurídica institucional garantida ao policial que responde por ato praticado no cumprimento do dever, em todas as instâncias, desde o primeiro dia.
Não é privilégio.
É a contrapartida de mandar alguém agir em nome de todos nós.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


