O que eu construí não foi prisão

Já me perguntaram várias vezes do que eu mais me orgulho em 33 anos de polícia.
A resposta que esperam é uma prisão grande. E eu tive algumas. A maior apreensão de maconha da época foi nossa, mil e trezentos quilos. Participei de investigações de casos que ficaram conhecidos, inclusive do primeiro sequestro que houve em Brasília.
Mas não é isso.
Primeiro porque polícia não funciona assim. Policial sozinho não resolve nada. Quem resolve é a equipe. Quando alguém me pergunta "o que você fez", a resposta honesta é sempre "nós".
E segundo porque o que eu construí de mais valioso não foi feito. Foi gente.
Meus amigos da polícia hoje fazem parte da minha família. Eu sou padrinho de várias crianças. Meus filhos têm padrinhos que também são policiais.
Tem um grupo nosso que se chama Churrascanas. Tem dez anos. A gente se reúne, faz comida, conversa, envelhece junto.
Isso não nasce por acaso. Nasce porque a gente sofreu junto.
Quem trabalha em segurança pública vive coisas que não dá para explicar em casa. Então explica para quem estava lá.
Eu levo isso para o mandato de um jeito muito concreto: quando eu falo em saúde do policial, em amparo à família de quem morreu em serviço, em condição de trabalho, eu não estou falando de categoria.
Estou falando de gente que eu conheço pelo nome.
Delegado Nugoli 5551. Deputado Federal.


